domingo, 24 de julho de 2016

Ultra dos Anjos, por Egomar Prochnow

Na série "Eu não fui, mas meu amigo foi"

Olááá! Tudo bem? Hoje o post tem a presença ilustre do meu super amigo ultra Egomar. Não, desta vez, ele está aqui para ir resgatando os últimos colocados da Indomit Bombinhas, mas sim para contar para a gente sobre como foi a experiência dele nos 235 Km da Ultramaratona dos Anjos Internacional. Nem vou me alongar muito porque essa distância é sinistra e temos que começar logo para não ser barrado nos pontos de corte da prova... Vamos lá então? Com vocês, Egomar...

Ultra de anjos

"Esse é o título porque ultra maratonistas são seres especiais. Sabemos que a corrida é nosso esporte do coração e, sem coração, não tem ultra. Na verdade, sem coração, sem mente forte e sem muito treino não tem ultra maratonista. Mais do que nunca essa verdade se dá na UAI – Ultra dos Anjos Internacional, porque é uma das provas mais casca grossa do Brasil e a segunda maior corrida com 235 km para serem cumpridos em 60 horas. Um ano antes fui de pacer pra nossa amiga Síria e vi que a organização era muito boa e o circuito excelente. Com muito preparo e com boa expectativa, larguei com o intuito de fazer a prova em 48h. Todos muito alegres na largada, e com um pouco de frio, largamos da cidade de Passa Quatro-MG e eu em busca do recorde, pois até então cerca de 150 km era meu máximo de rodagem. 

UAI
Um pouco antes de largarmos...
A prova se desenrolou muito bem pra mim. Até o km 95, estava com umas 4 horas adiantado da minha média, mas sabia que teríamos a Serra do Papagaio e que ali iria perder algum tempo. Já à noite subi a serra com muita disposição, mesmo que à tarde já tinha me dado febre, mas que não interferiu na minha corrida até aquele momento. No meio da Serra tem um ponto de controle onde temos café, água e uma sopa fantástica. Parei por uns minutos, tomei a sopa e o café e parti, pois não queria perder muito tempo. A febre voltou e alguns quilômetros depois o estômago não quis mais a comida: devolvi pra natureza, o que, com certeza, iria me afetar ao longo da prova. 

Continuamos uma subida sem fim, piso com muitas pedras na subida e o frio apertando. Em cima do morro, começou a ventar. Não quis parar para colocar o corta vento, erro, sempre achando que o vento logo iria parar, pois já estava descendo. Senti bastante frio e, com certeza, me desgastou mais ainda. Já amanhecendo e descendo a serra e com mais pedras do que na subida, apareceu o sol em meio à neblina que foi forte... Logo cheguei ao posto do KM 135, ainda dentro da minha média. Parei por cerca de 1h para tomar banho, me alimentar e trocar de roupa. Saí dali muito disposto e já quase com certeza de que cumpriria meu tempo. Logo na primeira subida, torci o tornozelo e fui mancando por uns 2 km. Pensei que tinha acabado minha corrida, mas a dor logo passou e continuei. Nesse momento, a Síria me alcançou e fomos juntos caminhando. 

A segunda noite chegou e a febre indo e vindo e nem o remédio resolvia. À noite, o sono me pegou forte. Andava à noite, mais de olhos fechados que abertos, tudo era uma escuridão só. O frio apertou muito na segunda noite, coloquei dois casacos e o corta vento e nem assim fiquei sem tremer. A passos de tartaruga, alcançamos um novo amanhecer e vimos o branco da geada por todos os lados. Sofri muito essa noite e, quando faltavam 2 km para o posto do km 204, falei pra Síria que naquele passo não conseguiríamos completar a prova. 


UAI
Imagem enviada por Egomar... Ele e Siria lá na frente...
Eu e ela saímos a trotar, pois ali não tinham morros, conseguimos adiantar um pouco e, quando chegou aos quatro últimos morros, a Síria continuou a caminhada e eu fiquei pra trás. Só via minha amiga se distanciando de mim... Com sol muito forte, febre e muito, mas muito sono, comecei a ficar sem noção, não conseguia mais visualizar a prova, o caminho, o tempo... Faltando uns 7 km, sentei na beira da estrada e desisti, por alguns instantes. No entanto, veio um anjo, com uma garrafa de água geladíssima que me fez acordar novamente, resolvi que iria terminar a prova, mas sempre cuidando para não faltar água para molhar a cabeça. Consegui chegar à cidade, ali, já sem água, pensei... agora é na raça e no coração... Parecia um bêbado andando na rua, um verdadeiro zig zag por uns 2 km dentro da cidade. 

Então vi o céu, o céu dos anjos, a linha de chegada, foi quando me desmanchei em lágrimas. Não queria chorar, mas a emoção estava aflorando. Consegui, completei meu recorde de 235km em 58h, kilometragem para poucos... para ultras de verdade (não querendo desmerecer nenhuma kilometragem de nenhum ultra), e ali meus grandes amigos Siria, Maurício, o Fernando organizador da prova e sua filha a Paola. 

Muito obrigado a todos que me ajudaram na prova a todos da organização, a meus amigos que me patrocinaram para eu poder fazer essa prova, é de todos vocês esse troféu... OBRIGADO".

Egomar Prochnow

Nossa, muito obrigada Egomar por compartilhar com a gente sua experiência nos 235 Km da UAI. Apesar de toda a dificuldade e de todo drama, o importante é que você conseguiu terminar esse super desafio e vencer a sua "quilometragem limite". Que venham outras e mais outras experiências assim. PARABÉNS!!!!!!!!

Espero que tenham gostado do relato do Egomar... A gente fica por aqui...

Até quarta-feira

Um super beijo

Carolina


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Sobre o Autor:
Carolina Belo Sou Carolina Belo, Bióloga e Turismóloga. Busco sempre ser feliz e ver o lado positivo de tudo o que acontece na vida. Gosto de viajar e participar de corridas pelo mundo.

2 comentários:

  1. Foi isso tudo e mais um pouco...emocionante!!! Até a próxima Ultra Egomar!

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    Respostas
    1. voce também foi meu suporte para continuar.... voce é guerreira...parabéns pela sua prova também...

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