06 julho 2016

Ultramaratona dos Anjos, por Otávio Porto

Na série "Eu não fui, mas meu amigo foi"

Olááá! Tudo bem? Quem vai escrever o texto para o post de hoje não será Carolina, mas sim Otávio Porto. Sim, ele vai contar para a gente sobre como foi a experiência dele nos 65 Km da Ultramaratona dos Anjos Internacional. Eu havia deixado "no ar" sobre essa experiência no meu post sobre a prova e, hoje, finalmente, teremos o final do mistério (uau, que drama!). Vamos lá? A partir de agora, Otávio no comando...

Ultra dos Anjos Internacional - Aproveite essa jornada

"Participar na UAI – 2016 (Ultra dos Anjos Internacional) foi algo muito especial e incrível. Tudo nasceu em 2015, quando conversei com meus treinadores Jacqueline Terto e Luiz Lacerda sobre o planejamento para 2016.

Em 2015, já havia me recuperado de algumas lesões sofridas no inicio de 2014 e a frustração de não ter realizado a Comrades no mesmo ano. Como não desisto fácil de meus planos, pensei em debutar nas ultramaratonas em 2016 e então pensei como prova alvo a conhecida e respeitada Ultra dos Anjos, carinhosamente apelidada de UAI, que é realizada sempre no meio do ano na belíssima cidade de Passa Quatro, que fica localizada em Minas Gerais. Nada mais normal que chamá-la de UAI, né?

Acredito que o maior atrativo para realizar essa prova, de fato, é a natureza da região, que, aliás, já havia conhecido quando realizei a KTR Serra Fina em 2015 e também treinei naquelas estradas e fazendas em 2014.

Decidida a prova alvo, era hora de treinar bastante, muitas trilhas, ladeiras, provas de montanha, melhorar a respiração, areia, escadas e sem esquecer que, na verdade, debutei em ultramaratona na querida prova na Chapada do Araripe em Março de 2016 que serviu como preparo para a prova alvo.

Desde já agradeço muito o treinamento ministrado pela grande e querida Jacqueline Terto, experiente e vitoriosa ultramaratonista brasileira e nosso querido terapeuta corporal Luiz Lacerda, que me ajudaram muito no desenvolvimento e treinamento. Aprendemos juntos muitas coisas boas e complementares para esse desafio. Destaco, paralelamente, o belo trabalho realizado no Instituto Jacqueline Terto que tem como objetivo atender pessoas com e sem deficiências em condições de pobreza e/ou risco social.

Bom, ultrapassado os treinamentos e provas de base, chegou a hora de encarar os 65 km. A propósito, a prova é dividida em várias modalidades:


  1. Fast – 25 km (prova realizada pela minha noiva Carolina Belo)
  2. Easy – 65 km (a que eu fiz, que, aliás, não foi nada fácil..ahahah)
  3. Medium – 95 km 
  4. Hard – 135 km
  5. X-Hard – 235 km

A partir dos 65 km, tem opções com revezamento e também com apoio e suporte. Eu resolvi começar pela prova considerada fácil, ou seja, 65 km.

A prova começou no dia 01/07/2016 (sexta-feira) e confesso que estava muito tranquilo, apesar do desafio. Afinal, quando a gente faz o dever de casa, entra mais confiante para qualquer desafio, mas, certamente, sempre encarava com muito respeito a prova. Acho que respeito é uma palavra muito importante nas ultramaratonas. Ainda estou nessa fase transitória de maratona para ultramaratona e, hoje, tenho certeza que o segredo está no respeito ao propósito, trabalho mental e, é claro, muito treinamento adequado.

Acerca do Instituto Jacqueline Terto, vale lembrar que foi representado, também pelo quarteto masculino, com a presença do grande atleta cego Edivandro, um grande ser humano, super gente boa e aguerrido. Com o apoio do Luiz Lacerda e demais amigos e parceiros, que se revezaram no percurso de 235 km, conseguiram o 2º lugar. 

Agora, vamos ao que interessa! Antes da largada, o tradicional hino brasileiro foi tocado (na integra e sem cortes). Estava muito tranquilo mesmo... Achei até estranho. Então começou a prova!

Encaixei um ritmo muito tranquilo durante os 10 km iniciais. Passamos por locais muito bonitos e algumas fazendas. A Carol Belo acabou se distanciando, afinal, a prova dela era Fast e tinha que chegar mais rápido e eu tinha que ir com calma, pois o negócio ia ficar bem difícil mais adiante. Eu tinha como estratégia chegar aos 25 km sem maiores complicações, e assim foi cumprida.


UAI 2016
Por volta do Km 6
Chegando aos 25 km, encontrei a Carol Belo. Conversamos um pouco e aproveitei para me alimentar e repor a água na mochila. Feito isso, prossegui na jornada. Aliás, essa palavra ficou muito na minha cabeça... jornada... jornada... jornada... aproveitar a jornada. Essa foi a dica dos treinadores, “aproveite e divirta-se na jornada”. Afinal, provas longas requerem paciência, trabalho mental, paciência, respeito, resistência, paciência, etc, etc, e etc...rsrs. Acho que o mais bacana, é que você vai pensando em muita coisa sobre a vida, sobre você mesmo, sobre o mundo, a natureza. 


UAI 2016
Encontro e despedida!
Nesse momento, estava em Itamonte, uma cidade próxima de Passa Quatro e faltavam aproximadamente 40 km para chegar a Alagoa, no meu destino final. A partir daí, era só subida. E nesse momento, estava praticamente sozinho. Particularmente, me sinto bem correndo sozinho, seja na rua, em trilhas, ou em estradas, mas nessa prova eu precisava pelo menos avistar alguém.


UAI 2016
Na segunda parte da prova!

UAI 2016
As pedras hexagonais que Carol falou no post dela...
Então, eu avistei um corredor que estava fazendo 235 km solo survivor e comecei a trocar ideia com ele. Foi muito bom, pois ele é bem cascudo e experiente e deu várias dicas. O cara tinha uma passada firme e consciente. O nome dele é Oberdan e é gaúcho. Ele me alertou que ainda iríamos encarar uma subida bem complicada de aproximadamente 10 km até chegar ao primeiro topo (que para mim seria o último).

Já estávamos com mais de 35 km, quando apareceu um mercadinho bem aconchegante e lá estavam alguns corredores, todos iriam fazer 135 Km para cima. Cara, esses caras merecem todas as premiações possíveis, afinal, estão pagando para correr e caminhar muitos kms. Eu ia passar direto, mas os caras me chamaram para tomar uma cerveja, brincando, é lógico. 
UAI 2016
Parada estratégica
Nessa oportunidade, conheci os bravos José Vasquez, Agnaldo Gallo e o médico que esqueci o nome. Eles eram bem divertidos e também cascudos e acostumados a correr longas distâncias, mas beeem longas mesmo. Aproveitei e bebi uma coca, comi um biscoito e comprei água e isotônico. Essa parada foi estratégica, pois iríamos subir bastante. Quando chegou outra galera bem animada e todos do Rio de Janeiro e da Taquara, região da minha noiva Carol Belo: Gustavo Adolfo, Marcella Freire e uma outra atleta loira que apertou o passo e foi na frente.

Então essa galera resolveu ir junto até o topo e fomos lá, conversando, trocando ideias, relatando experiências e se ajudando na medida do possível. Acabou passando muito rápido. E o engraçado é que geral estava sem GPS, então ficávamos calculando quanto faltava. 
UAI 2016
José e Marcella
Encaixamos uma passada bem forte na subida e começamos avistar belas paisagens da serra e olhando para trás, fica aquela coisa na mente (olha quanto eu percorri...). Foi legal que também encontramos um atleta da cidade de Nilópolis que estava com carro apoio e por sinal uma galera bem legal.

Chegando ao topo, vem a hora da descida, que é muito bom, mas ao mesmo tempo é um convite para se lesionar. Descemos bastante e encontramos com outros corredores que se arriscavam nas provas acima de 135 e também alguns de 65 e 95 km. 

Começou a escurecer e era hora de ligar a headlamp. Nesse momento, já estávamos sob a iluminação estelar do céu de Passa Quatro e calculávamos chegar às 18 hs, mas foi até bom pegar a escuridão, pois presenciamos o céu estrelado.


UAI 2016
Buuuuu...
A parte chata foi a estradinha de pedra na descida que acabou incomodando bastante o solado. Nesse momento, já começávamos a ficar ansiosos para chegar aos 65 km (pelo menos Eu, Gustavo e Marcella), mas eu sempre pensava que os demais iriam encarar os 235 km, ou seja, “sem reclamações internas”... hehehe

Essa parte final da estrada não era demorada, pouco mais de 08 km para chegar a Alagoa, mas estava bem frio. Apesar do tempo, me sentia muito bem e com a certeza que se pudesse, encararia mais uns 10 km... mas deixa para ano que vem né?

Eu percebi que estava chegando, quando senti um cheio de comida caseira, daquelas mineiras bem gostosas, daí pensei “opa! sinto cheiro de cidade”. E não deu outra, apareceu a placa de “ALAGOA”. Parei para tirar uma foto e agradecer. Voltei a correr e lá estava a chegada e minha querida noiva Carol Belo me esperando. Cheguei bem feliz, com saúde e tranquilo! Foi muito bom cumprir a meta e atingir o resultado sem maiores sofrimentos e ainda mais, conhecendo pessoas nessa incrível jornada, pois, o conselho foi este: aproveite a jornada!


UAI 2016
Chegando...
UAI 2016
Recebendo a medalha e o troféu.
Eu fui para essa prova com uma certeza: Essa seria minha última prova longa e voltaria a correr as corridas 10km e 21 km. Ledo engano...rsrsrs. Foi uma prova longa e demorada (12 horas), mas passou muito rápido, graças a cia dos atletas que encontrei no meio do caminho. Cada um tinha um estilo e experiência, mas passamos bom tempo juntos e nos ajudando, na medida do possível. Nunca vou esquecer da dica do Agnado Gallo que usa absorvente no tênis para amaciar o pé. Esses caras têm muita sabedoria!!!

Por essas e outras, que vou ter que descumprir a minha proposta de encerrar as corridas longas e encarar uma nova jornada.

Enfim...então foi isso, pelo menos para mim, que resolveu encarar a prova chamada “easy” de 65 km. Agora, pensem vocês, imaginem a galera que fez 95 km...135 km...235 km? Infelizmente, esse relato não poderá ser feito por mim agora... Quem sabe em 2017?

Um abraço a todos!"
Otávio Porto

É isso, espero que tenham gostado do texto de Otávio. Inclusive, aproveito para dar mais uma vez os parabéns para ele por ter conseguido vencer essa prova "Easy" e transmitir esses momentos de uma forma bem interessante nesse texto. Obrigada pela participação no blog, Otávio!

Até domingo...

Um super beijo

Carolina 



Sobre o Autor:
Carolina Belo Sou Carolina Belo, Bióloga e Turismóloga. Busco sempre ser feliz e ver o lado positivo de tudo o que acontece na vida. Gosto de viajar e participar de corridas pelo mundo.

4 comentários:

  1. Respostas
    1. Eu que agradeço a sua disponibilidade em escrever, Otávio...
      Um super beijo...
      Carolina

      Excluir
  2. Boa Dr, ficou show a narrativa...
    As distancias vão se encurtando a medida que aprendemos controlar a ansiedade e cadencia...
    Vamos pensar nos 135k da UAI 2017, podemos ir juntos...
    Grande semana e boa recuperação...
    Luiz

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Não dá ideia, Luiz...
      Super beijo
      Carolina

      Excluir

Obrigada pela visita. Fique à vontade para dizer o que achou do post... Seus comentários são super bem-vindos... Um super beijo...

Whatsapp Button works on Mobile Device only

Start typing and press Enter to search