17 maio 2017

Jalapão, um tesouro descoberto no Tocantins

Olááá! Tudo bem? A partir de hoje iremos ter uma série de posts sobre o Jalapão, uma região sensacional no Tocantins. Se você aprecia passeios ao ambiente natural, este post é para você. Nesta primeira postagem, falarei sobre as características gerais desse local. Entendendo a sua dinâmica, a gente poderá compreender os ambientes que serão apresentados posteriormente. Vamos lá?

O Jalapão

O Jalapão está localizado no Estado de Tocantins, bem na divisa com a Bahia, o Maranhão e o Piauí e a 190 Km de Palmas


Pôr do Sol nas Dunas do Jalapão
Por do Sol no Jalapão

Ele é a reunião de cinco áreas de conservação:

  • Parque Estadual do Jalapão;
  • Parque Nacional das Nascentes do Rio Parnaíba;
  • Estação Ecológica da Serra Geral do Tocantins;
  • Área de Preservação Ambiental (APA) Serra da Tabatinga;
  • Área de Proteção Ambiental (APA) Jalapão.
Jalapão, o deserto brasileiro
Uma placa, como sempre adoro...
Tudo totaliza 34 mil quilômetros quadrados. Para se ter uma ideia, isso é maior que a área dos Estados de Sergipe e Alagoas. No entanto, mesmo tento esse tamanho todo, ele é conhecido como o deserto brasileiro, por possuir a menor densidade demográfica do país. São 0,8 habitantes por quilômetro quadrado.

A região do Jalapão está distribuída em alguns municípios. São eles: Ponte Alta do Tocantins, Lagoa, Novo Acordo, Santa Tereza de Tocantins, São Félix de Tocantins e Mateiros. Ponte Alta de Tocantins é considerada a porta de entrada para o Jalapão.


Jalapão, o deserto brasileiro
Ponte Alta do Tocantins, o Portal do Jalapão

O nome “Jalapão” é derivado da Jalapa, uma espécie de planta conhecida popularmente como “batata de purga”. Seu nome já indica o seu uso: purgante.


Jalapão, o deserto brasileiro
Jalapa, a flor que deu origem ao nome Jalapão

O que fazer no Jalapão?

A região é propícia ao ecoturismo e aos esportes na natureza. Entre as atrações do Jalapão estão:
Jalapão - Cânion do Sussuapara

Em breve, aqui no blog, teremos posts sobre todas essas atrações.

Em relação aos esportes na natureza, a região é ideal para:

  • Canoagem
  • Rapel
  • Bóia-cross
  • Trilhas (tanto de bike quanto a pé)

O ouro do Jalapão

Não, o Jalapão não possui atividade mineradora.  O ouro aqui é outro. Conhecido como o ouro do Jalapão, o capim dourado só nasce nas veredas da região.

As veredas são regiões que garantem a umidade mesmo em períodos de seca, tornando-se um refúgio da fauna e da flora, assim como local de abastecimento hídrico para os animais. Recebem este nome justamente por serem um caminho para a fauna no cerrado.


Veredas no Jalapão
Um exemplo de vereda
O capim dourado possui um caule bem fino e intenso brilho metálico. Não tivemos a oportunidade de vê-lo dessa forma. Ele ainda estava brotando, então, só vimos sua versão "filhote"...


Capim dourado, o ouro do Jalapão
Capim dourado que ainda irá crescer
Essa matéria prima é trabalhada por artesãos locais e é transformada em chapéus, bolsas, brincos, pulseiras, colares, arcos e objetos de decoração.


Jalapão - artesanato com capim dourado
Artesanato de capim dourado exposto no camping da Korubo

A venda desses produtos não se restringe somente à região. Eles são vendidos para outros locais do Brasil e também para o exterior.

Devido à importância do capim dourado para o Jalapão, há uma festa de colheita. Tal evento tem por objetivo anunciar a liberação da colheita que ocorre entre 20 de setembro e 31 de novembro.

Particularidades do Jalapão

A melhor época para visitar o Jalapão é entre maio a setembro, uma vez que corresponde ao período de seca no Tocantins.

As estradas de acesso ao Jalapão são de terra. Por isso, é super aconselhável utilizar veículos com tração 4x4. Entre maio e setembro (devido ao motivo explicitado acima), as estradas estão em melhores condições de tráfego. Mesmo assim, isso não impediu que encontrássemos um carro atolado na estrada.

Jalapão - Estradas de acesso ao Jalapão
Não foi esse carro que atolou não. É só para ilustrar a estrada. E essa aí ainda estava bem legal, he he he

Não é indicado circular pela região sem a presença de um guia.

O que levar ao Jalapão

O ideal é levar roupas leves e de fácil secagem. Eu só usei blusas de corrida e legging (para evitar os mosquitos). Na verdade, só usei mesmo as camisas do blog, ha ha ha (haja propaganda)! Quem viu, deve ter achado que eu só tinha três blusas (variava entre a manga longa, a regata e a tradicional), he he he.


Jalapão - Serra do Espírito Santo
Propaganda ambulante e a Serra do Espírito Santo ao fundo

Falando em mosquitos, leve repelente, se possível, à prova d’água. Mesmo durante os banhos no rio, eles atacavam.

Para as caminhadas nas trilhas não se esqueça da bota para a caminhada ou dos tênis confortáveis.

Vai fazer canoagem? Pense em uma papete ou um Croc. Como não tenho nenhum deles, fui de tênis mesmo. O importante é que o calçado seja fechado, pois se o caiaque virar, você diminui a probabilidade de se machucar nas pedras.


Jalapão - Esportes radicais no Jalapão
"Vou pintar um arco-íris de energia"... Eu estou parecendo um arco-íris com tantas cores nas roupas (e ainda escolhi o caiaque roxo para ter mais uma cor, ha ha ha).

Além dessas recomendações, não se esqueça de:

  • Boné/Viseira/Chapéu (eu sou adepta da viseira SEMPRE)
  • Biquine/Maio/Sunga
  • Óculos escuros
  • Um casaco para a noite (pode esfriar. No entanto, não precisei usar)
  • Saco estanque (para não molhar coisas importantes durante os passeios)
  • Câmera fotográfica
  • Squeeze
  • Medicamento de uso pessoal (não há farmácias com facilidade)
  • Kit de primeiros socorros
  • Produtos de higiene pessoal
  • Toalha para os passeios “de água”

Informações ambientais sobre o Jalapão

O clima na região é quente, com estação seca rigorosa, embora chova de outubro a abril. Os solos são ácidos e pobres em minerais. Por isso, o fator limitante da região é a condição do solo e não a água, como muitos pensam. 

Isso porque, mesmo nas estações secas, o solo contém, a partir de 2 metros de profundidade, quantidade razoável de água. As raízes de muitas plantas aprofundam-se até atingir o lençol freático subterrâneo, retirando a água necessária para a sobrevivência.

A vegetação do Jalapão é típica de cerrado, composta de árvores e de arbustos de pequeno porte. Elas são adaptadas à seca através de caules tortuosos com casca grossa, folhas espessas, com superfície brilhante e, muitas vezes, recoberta por pelos.


Jalapão - Flora do cerrado
Árvore retorcida e outros exemplares da flora do cerrado
O cerrado brasileiro é um ambiente onde as plantas convivem com condições ambientais curiosas, como o fogo, que ocorre naturalmente e com certa frequência. As plantas do cerrado praticamente renascem após cada queimada. Para isso, elas possuem algumas adaptações para resistir ao fogo. Uma delas é a presença de uma espessa camada externa de cortiça nos caules, formando um excelente isolante térmico.


Jalapão - queimada no cerrado
Fogo avistado durante a trilha na Serra do Espírito Santo
O fogo pode até parecer nocivo, mas, na verdade, ele ajuda em vários aspectos. Ele estimula e induz a floração. Com o aumento da quantidade de flores, aumenta o número de insetos polinizadores, que são atraídos pela grande disponibilidade de néctar e de pólen. Depois de algum tempo, essas flores transformam-se em frutos, que alimentarão outros animais.

Esse elemento relaciona-se também com a dispersão e germinação das sementes no cerrado. Ao eliminar a palha seca que se acumula no solo, o fogo facilita a ação do vento sobre as sementes. Além disso, a brusca e rápida elevação da temperatura numa queimada pode provocar rupturas na casca da semente, o que a torna mais permeável, favorecendo a entrada da água e sua germinação.

A fauna do Jalapão é muito rica, incluindo a ema, maior ave das Américas. Nós vimos duas quando estávamos indo a um dos passeios. Além dela, outras aves que vivem no cerrado e que vimos no caminho foram o gavião Carcará, o tucano, os periquitos e as araras azuis. 


Jalapão - fauna do cerrado
Dá uma forçada aí, para ver as araras, ha ha ha ha...
Dentre os mamíferos destacam-se o lobo-guará, a onça pintada, a anta (maior mamífero das Américas), o tamanduá, o tatu, a raposa, o veado campeiro e várias espécies de macacos. Nós só avistamos o veado, o tatu e a raposa.

Nos cerrados, é muito comum a presença de cupinzeiros no solo que servem de abrigo para larvas de vaga-lumes. Em determinadas épocas do ano, quando essas larvas são abundantes, elas iluminam o cerrado à noite num belíssimo espetáculo de bioluminescência. Infelizmente, não vi esse show. Apenas alguns vaga-lumes esparsos...

Jalapão - fauna do cerrado
Na  minha tentativa (péssima) de fotografar as araras, peguei alguns cupinzeiros (valeu para alguma coisa, né?)

Espero que tenha gostado dessa introdução ao Jalapão. No domingo, teremos o post do primeiro passeio. Iremos às Dunas do Jalapão.

Enquanto ainda não temos um post índice sobre o Jalapão, você pode conferir os outros posts sobre essa região nos links abaixo:

Dunas do Jalapão, um pôr do Sol de tirar o fôlego

Fervedouro no Jalapão e as tentativas, frustradas, de afundar



E vem muito mais por aí... Aguarde...

Até domingo então.

Um super beijo,

Carolina

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Sobre o Autor:
Carolina Belo Sou Carolina Belo, Bióloga e Turismóloga. Busco sempre ser feliz e ver o lado positivo de tudo o que acontece na vida. Gosto de viajar e participar de corridas pelo mundo.

18 comentários:

  1. O Jalapao é lindo demais. Todos os brasileiros deveriam conhecer. Cada riqueza escondida nele 😍😍

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    Respostas
    1. Verdade Adrielle! E eu preciso voltar, porque ainda tem coisa lá para ser "descoberta" e vivenciada por mim, he he he...
      Abraços,
      Carolina

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  2. Adorei o post, Carolina! A paisagem do Jalapão é linda demais! Tenho vontade de conhecer! Só fico preocupada com os mosquitos, pois sou alérgica! Bjs! :-)

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    Respostas
    1. Que bom que você gostou Ana Paula! caso você vá, então não se esqueça MESMO do repelente. E eu vivia coberta (blusa de manga algumas vezes e legging o tempo todo), então, quase não fui picada. Mas muitas pessoas estavam com marcas nas pernas e nos braços.
      Super beijo
      Carolina

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  3. o Tocantins é um tesouro guardado no centro-oeste, uma pena que os brasileiros não visitem muito essa região, lindas fotos!

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    1. Verdade Flávia! É um destino não muito explorado. Uma pena, pois é muito belo!
      Super beijo
      Carolina

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  4. Super interessante... não conhecia, mas agora sobra a vontade de visitar :)

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    Respostas
    1. E com certeza, você vai adorar! É muito interessante!
      Abraços,
      Carolina

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  5. Muito legal o jeito que contou da região no seu post! Fotos lindas !
    Não me daria bem com os mosquitos, mas no geral a paisagem deve valer a pena kkk
    Obrigado por compartilhar.

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    1. Ah dih, a paisagem compensa qualquer mosquito, ha ha ha ha...
      Obrigada pela visita e pelo comentário!
      Abraços,
      Carolina

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  6. O Jalapão é um paraíso, e fica numa localização relativamente central no Brasil, sou mais uma alérgica a mosquitos e isso me deixa um tanto preocupada rs

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    1. Ha ha ha ha, calma Paula. Nada que um repelente e umas roupas com "maior cobertura" não resolvam! Como disse em outro comentário: a paisagem compensa qualquer mosquito, he he...
      Obrigada pela visita!
      Abraços,
      Carolina

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  7. O Brasil tem umas parques lindíssimos já fui em muitos deles, ainda está faltando o Jalapão, quem sabe numa próxima viagem não vou pra lá.

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    Respostas
    1. Pois é Christian, você não vai se arrepender! É um lugar muito lindo!
      Abraços,
      Carolina

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  8. Muita vontade de conhecer o Jalapão, a cada post que eu leio fico com mais vontade. Aguardo as dicas de como chegar lá e fazer os passeios.

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    1. Oi Lulu! Pois é, cada passeio tem sua particularidade, mas amei todos eles. É uma viagem que vale muito a pena!
      Beijos
      Carolina

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  9. Jalapão é um sonho antigo! Seu post me deixou com mais vontade ainda de ir. Eu só não sabia dessa parte de ter TANTO mosquito. Como os bichos atacam até quando está na água, gente? Chocada! hahaha

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    Respostas
    1. Oi Naná! Calmaaaaaa, fui até reler o texto para ver se eu estava dando a impressão de que havia MUITOOOOSSSS mosquitos assim, porque muitas pessoas mencionaram sobre isso nos comentários, ha ha ha ha... Tinha mosquito, eles picavam até dentro d'água (às vezes, até dava vontade de sair, porque enchiam a paciência), mas não era nada mortal assim. Nada que um repelente e uma roupinha mais coberta não resolvessem, he he he... Isso não irá acabar com sua viagem ao Jalapão, pode ter certeza, he he he... Tomara que você consiga ir logo!!!
      Obrigada pelo comentário!
      Super beijo
      Carolina

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Obrigada pela visita. Fique à vontade para dizer o que achou do post... Seus comentários são super bem-vindos... Um super beijo...

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