15 janeiro 2017

O Encontro das Águas dos Rios Negro e Solimões

Olááá! Tudo bem? Eu não me esqueci dos posts de Manaus não. Ainda tem mais alguns que aparecerão até março. Hoje é dia de falar de um passeio muito interessante e imperdível. Qual é o passeio? O encontro das águas dos rios Negro e Solimões. Vamos lá?

O Encontro das Águas dos Rios Negro e Solimões
Por muitos quilômetros as águas seguem assim: lado a lado, sem mistura...

Você sabe que não gosto de determinar o que é ou não imperdível, porque isso varia de pessoa para pessoa, né? 

No entanto, tenho certeza de que esse é um passeio que todos ficam encantados (mesmo se passarem pelos problemas que tivemos, que contarei depois). 

Muitas empresas oferecem o passeio para ver o encontro das águas dos Rios Negro e Solimões. Entramos em contato com duas delas. 

Eu queria somente o encontro das águas com a visita ao lago do Janauari, sem ter que ver botos ou visitar comunidade indígena. 

Há essa opção nos encartes das empresas. No entanto, o preço para ele é mais elevado do que esse mesmo passeio somado com as atrações que disse que não queria ver... 


E por que não queria ver botos? 

Porque acho um ABSURDO o que fazem com os animais para que eles fiquem se exibindo (e fora os turistas completamente sem noção que fazem o que é pedido para não fazerem). 


E por que não queria ver índios? 

Porque não é uma experiência real. É tudo uma encenação. 

Passado meu momento “revolt” de explicações, optamos por uma das empresas e lá fomos nós para o passeio completo.

O embarque para o encontro das águas dos Rios Negro e Solimões

O embarque para o passeio foi no Porto de Manaus

Antes de entrarmos, vimos um quadro preso na parede com os registros históricos da máxima das cheias do Rio Negro


O Encontro das Águas dos Rios Negro e Solimões
Tábua do registro das cheias do Rio Negro

Essa medida vem sendo registrada há mais de cem anos. A maior cheia de todos os tempos ocorreu em 2012.

Ficamos esperando um longo tempo dentro do barco (ou lancha, para o guia), pois faltavam algumas pessoas. Era para sair às 9 horas. No entanto, saímos por volta de 9h20m.

Uma parada no posto

Nem bem o barco saiu, fomos avisados de que pararíamos no posto para abastecer.


Encontro das Águas dos Rios Negro e Solimões

Eu penso: 
“gente, por que não abasteceu antes de estar com os turistas e fazer a gente perder mais tempo?”. 
Depois entendi que a parada não foi para abastecimento, mas sim para cobrar algumas pessoas que pagaram com cartão de crédito. 

Elas tiveram que descer para pagar, enquanto ficamos na embarcação (o que deu para perceber que nada foi abastecido mesmo, he he he he).

O comandante desceu também e foi aí que o problema realmente começou... 

Eu nem tinha reparado, mas também, como imaginar que a pessoa cometeria um deslize absurdo destes??? Ele estava pilotando de chinelo e a fiscalização viu. 

Só que ele entrou no barco e deu partida. Quando já estávamos afastados do posto, houve o barulho de uma sirene e tivemos que voltar. 

Nesse meio tempo, o guia gritou: 
“coloquem os coletes, a fiscalização vai entrar”. 
Imagino se fosse um momento de acidente como seria a confusão... Todo mundo levantou, foi colocando os coletes, uma loucura...


O Encontro das Águas dos Rios Negro e Solimões
Esperando pela resolução da situação do comandante
Paramos e o comandante desceu com os papéis. As pessoas de colete esperando dentro do barco e uma correria da tripulação. 

Havia uma menina que entrava toda hora correndo no posto atrás de um sapato para o comandante. Depois do episódio, foi ela quem pilotou o barco, então, ela deveria ter um papel importante lá. 

Sei que estava um clima meio tenso no ar, até que alguém lá de fora falou para o guia nos avisar para tirar os coletes... Tiramos os coletes e ficamos esperando...

O comandante foi até a parte interna do posto e arranjou uma botina. Só que aí ele cometeu um outro erro: o deboche... Ele saiu do posto batendo o pé forte no chão, como se debochando do sapato que estava usando e, o pior, da autoridade que estava lá resolvendo a questão. 

Ele recebeu um papel que algumas pessoas disseram ser uma multa. A menina que não parava de correr pelo posto assumiu a embarcação e lá fomos nós, finalmente, ver o encontro das águas. 

Não quero ser fofoqueira, mas já sendo, nem preciso dizer que no caminho ele assumiu o controle novamente, né?

O encontro das águas 

Finalmente, chegamos ao ponto esperado do passeio... 

O guia era bem fraco, mas falou o que eu precisava saber. Os rios não se misturam simplesmente pela diferença de pH, de temperatura e de velocidades de suas águas. 

Vamos entender as diferenças...

O pH (potencial hidrogeniônico) dos Rios Negro e Solimões

O pH é a medida de acidez de uma substância (me senti em uma aula de Ciências do 9 º ano). 

Ele varia de 0 a 14, sendo que até 6,999 a substância é considerada ácida. Quando ela tem o valor de 7, ela é neutra. Acima disso, ela é básica. Quanto mais perto do zero, mais ácido é. 

O Rio Negro é bem ácido (3,8 e 4,9) quando comparado ao Solimões (entre 6,2 e 7,2).


A diferença de temperatura dos Rios Negro e Solimões

Em relação à temperatura, o Rio Negro é considerado quente enquanto que o Solimões é morno. 

Essa diferença altera as propriedades e dificulta um pouco a mistura das águas.


A velocidade dos Rios Negro e Solimões

Já sobre a velocidade, o Solimões "corre" um pouco mais rápido que o Negro. 

Isso também reflete na dificuldade de mistura das águas.


O Encontro das Águas dos Rios Negro e Solimões
Rio Solimões, mais claro, acima. Rio Negro abaixo.

Resumindo...


Rio Negro

Rio Solimões

pH
Entre 3,8 e 4,9

Entre 6,2 e 7,2

Temperatura
Até 28° C

Até 22° C

Velocidade
2 a 3 Km/h

4 a 7 Km/h

Composição
Húmus

Cálcio e Magnésio



O Rio Negro e o Rio Solimões encontram-se, seguem juntos por uns 6 km. 

Em seguida, se misturam, formando o Rio Amazonas, considerado o rio mais extenso da Terra.

Uma continuação...

O objetivo deste post não é falar sobre o restante do passeio, mas só quero completar que:
  • Realmente os botos eram submetidos a um estresse, com um grande número de pessoas em volta deles, fazendo uma agitação absurda;
O Encontro das Águas dos Rios Negro e Solimões
Sem comentários...
  • Paramos em uma localidade ribeirinha para “fotografar com os animais”. Eram jacarés, cobras e preguiças também submetidos a um estresse, passando de turista em turista para as mais diversas poses. 
O Encontro das Águas dos Rios Negro e Solimões
Sem comentários 2... Aliás, um comentário: a quantidade de turistas tirando fotos com animais...
E o pirarucu? O maior peixe de água doce do mundo em um tanque apertado. O “responsável” pela atração batia na água para o peixe subir, enquanto os turistas gritavam felizes. 

Não consigo ver esse tipo de atitude. Fiquei afastada do freak show, mas sei que isso não vai mudar a realidade daqueles animais... Uma pena...

  • Conseguimos ir ao Lago Janauari para ver as vitórias-régias. Mas elas estavam em pouca quantidade e sem flores (o auge é entre abril e julho)... Mesmo assim, um lugar bonito... 
Como o passeio foi em uma época em que as águas não estavam muito altas, não foi possível entrar nos igapós. Então, só fizemos um passeio na mata mesmo...

O Encontro das Águas dos Rios Negro e Solimões
Desbravando a floresta...

O Encontro das Águas dos Rios Negro e Solimões
Uma parte do Lago Janauari e as vitórias-régias

O Encontro das Águas dos Rios Negro e Solimões
Detalhe de uma vitória-régia e uma flor...


Informações importantes sobre a o passeio Encontro das Águas em Manaus

Conversando com nosso amigo Keynes, ele informou que deveríamos ter saído do Porto do Ceasa, pois lá há uma maior fiscalização das embarcações e tudo está nos conformes. 


Bom, mesmo tendo essas intempéries, foi muito bonito conhecer o encontro das águas. 

Entretanto, quando você for fazer esse passeio, certifique-se de que sairá do Porto do Ceasa para evitar maiores problemas.

Espero que tenha apreciado a beleza do encontro...

Até quarta-feira

Um super beijo

Carolina

Para saber como foi o Workshop de Corrida de Rua, confira o post 
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Sobre o Autor:
Carolina Belo Sou Carolina Belo, Bióloga e Turismóloga. Busco sempre ser feliz e ver o lado positivo de tudo o que acontece na vida. Gosto de viajar e participar de corridas pelo mundo.

6 comentários:

  1. Olá, Carol! Muito bacana seu post! Sem papas na língua!
    Sobre os episódios comentados, infelizmente isto é Brasil-sil-sil...
    Fiz este passeio em 2015 e vivenciei o mesmo problema da falta de coletes para os turistas e a abordagem de um barco militar questionando o capitão sobre os coletes. na minha opinião, um erro crasso. Mas já dá pra perceber que algo normal, cotidiano, que ocorre diariamente...

    Tbem vivenciei o estresse dos bichos... Mas é aquela coisa: vale tudo por uma foto, né?

    Ainda bem que vc curtiu o encontro das águas.

    bjo

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    Respostas
    1. Oi Marcelo!!!! Pois é, isso me fez refletir o quanto estamos vulneráveis nesses passeios, né? Na boa, eu nunca tinha parado para pensar sobre essas coisas de segurança porque, NA MINHA CABEÇA, tudo era muito ajeitado. Afinal, é a vida de um monte de gente, né? Agora vou ficar mais ligada nisso...

      Aff, nem me fale sobre os bichos. Relendo o post fiquei pensando sobre eles. É muita ganância...
      Realmente, o encontro das águas é um fenômeno lindo e super curti!!!

      Obrigada pela visita.

      Um super beijo e boa semana!
      Carolina

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  2. Oi Carol,
    gostei do momento "revolt", eu acho que também não teria interesse em fazer esse passeio que você mencionou, mas as agências locais aproveitam para explorar, né?
    Como em vários lugares turísticos do Brasil, existem alguns passeios totalmente furados.
    Beijo.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Pois é menina! Eu sempre uso como exemplo a minha primeira viagem ao Egito. Lá me senti mais que roubada, pois TUDO tinha que dar gorjeta, dar dinheiro, dar percentual, e o guia meio que cobrava mesmo, sabe? Voltei irada e minha mãe comentou: "minha filha, isso acontece por aqui também. Só que você não viaja muito e não vê". Bom, eu não via mesmo. Mas esse passeio me fez super recordar o Egito. Dinheiro para foto com os animais (aff), dinheiro para o índio que fez uma dança boba, gorjeta para o guia (que nem se expressar direito sabia), compre artesanato, compre sei lá mais o que... Bizarro!
      Super concordo que há esses passeios furados. Por isso que acho que as pessoas têm que contar quando uma coisa não vai bem. Porque se não, parece que é um mundo perfeito, né?
      Um super beijo
      Carolina

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  3. Gente, que horror, amiga! Que situação estressante essa do barco! Povo mais amador, credo! Porque não fazem tudo certinho, meu Deus?! Pilotar de chinelo, parar, voltar, corre-corre, põe colete, tira colete... Deus me livre! Cansei só de ler! Penso como você: sou contra essa judiação com os animais! Mania de achar que tem que sair domesticando tudo, né?!
    Tirando isso, o encontro das águas foi lindo! rss.. Ufa! Pelo menos isso! rsss..

    Beijão!

    http://blogdaana.com.br

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    Respostas
    1. Ana, já pensou se depois de todo esse drama (isso porque não contei da parte dos índios, ha ha ha), o passeio das águas não valesse a pena? Era para se jogar nas águas e deixar a correnteza levar, ha ha ha ha... Ainda bem que foi lindo!!!
      Um super beijo,
      Carolina

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Obrigada pela visita. Fique à vontade para dizer o que achou do post... Seus comentários são super bem-vindos... Um super beijo...

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