quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

Atacama - Tour astronômico

Tour pela astronomia

Oi gente! Hoje, vamos fazer o Tour Astronômico. Existem várias empresas que oferecem esse passeio. Depois de muita pesquisa, optamos pelo oferecido pela agência Space. Já até contei para vocês como foi o processo de reserva do passeio e do quão simpáticas eram as atendentes. Felizmente, deu tudo certo no dia, não teve nuvens e o passeio pode acontecer. Então, não vamos perder tempo...

A preocupação sobre o passeio não acontecer era porque se houvesse nuvens no céu, ele seria cancelado. Essa é uma condição bem rara no céu do Atacama, mas pode ocorrer. É por isso que o tour só é confirmado no dia marcado. O tour astronômico também não acontece em períodos de lua cheia, justamente porque a claridade iria atrapalhar a observação dos corpos celestes. Para ter um passeio de qualidade, o número de passageiros é normalmente limitado a 24 pessoas. Ele é bem interessante e completo para pessoas leigas no assunto. Dependendo do horário o tour pode ser em Inglês, Espanhol ou Francês. Nós fizemos em Espanhol, mas eu bem que preferia em Inglês... Tudo bem... Foi bom também, apesar de eu ter que fazer mais esforço nessa língua para entender (sim, eu acho Espanhol mais enrolado). 

O ônibus saiu próximo da esquina das ruas Caracoles e Domingo Attienza às 23 horas. Em menos de 15 minutos, chegamos ao local da explicação. Foi uma experiência muito doida (como sempre, para Carolina, as coisas têm que ser doidas...). Fomos na mesma direção que o passeio às Lagunas Altiplânicas, mas assim que saímos da cidade, já viramos à direita e deixamos a estrada asfaltada para trás. 

Era uma escuridão, estava um silêncio meio amedrontador e a única iluminação do ambiente era a do farol do ônibus (havia uma luz muito fraca na cabine do motorista também). De repente, vi pela janela uma imagem tipo uma pessoa. Clarooooo que tive medo, imaginando um monte de bobagens, mas fiquei focando, focando até perceber que na verdade era o reflexo da luz da cabine do motorista no vidro. Enfim, passado o drama, chegamos. Fomos para o local da explicação enquanto as pessoas que haviam feito o tour anterior entravam no ônibus para voltarem a San Pedro. Quando eles se foram, o nosso tour começou. 

O astrônomo fez uma pequena apresentação e disse os países que estavam presentes naquele tour (brasileiros éramos só nós, mas havia bolivianos, chilenos e franceses). Durante a primeira parte do tour, ao ar livre, o astrônomo ensinou sobre o céu que podemos ver a olho nu e explicou conceitos como constelação (incluindo as do zodíaco), rotação e translação. Em um segundo momento, fomos observar alguns corpos celestes nos telescópios. E, finalizando, fomos para uma sala quentinha e saboreamos uma bebida quente (chá ou chocolate) enquanto o astrônomo respondia às perguntas das pessoas. Esse é o resumo do passeio, he he he...

Durante o tour externo, ele utilizava um apontador laser muito potente para pontuar as estrelas e realizar as explicações. Mas, importante ressaltar que o laser não alcança a estrela... Quando olhamos para o céu não temos a percepção das distâncias reais das estrelas até nós. É apenas uma ilusão de que todas as estrelas, nebulosas, galáxias e outros objetos celestes estão todas à mesma distância da Terra e próximos entre si. Só para deixar bem explicado, né? Isso me lembrou de quando íamos para uma disciplina de Astronomia no Observatório do Valongo e o professor usava um laser desses para explicar as coisas. Aí ele falava, “temos que ter cuidado com esse laser porque podem interpretar isso como uma outra coisa e atirarem na gente” (já que lá era próximo a algumas favelas pesadinhas).

A parte mais emocionante do tour, para mim, foi ver a Via Láctea pela primeira vez. Isso porque a sua visibilidade é afetada pela poluição luminosa e o que mais temos nas grandes cidades é justamente esse tipo de poluição. Eu sempre quis ter essa experiência e consegui. Afinal, o céu do Atacama é o segundo melhor do planeta para observação (o primeiro fica no Afeganistão, mas acho que tão cedo não terei essa experiência, he he he he). 

Voltando à “estrela da noite” (ou melhor, à galáxia da noite), a faixa brilhante e sinuosa da Via Láctea instiga a curiosidade humana desde a antiguidade. Pelo fato de se estender por todo o céu, a galáxia foi tida como análoga a rios, como no caso de lendas egípcias antigas, em que era comparada ao Rio Nilo, mas nas áreas habitadas pelos espíritos. Na China e no Japão, a galáxia também recebe a denominação de Tien Ho (Rio celestial ou rio prateado), enquanto que, para os hindus, a Via Láctea representa o "curso do Ganges celestial". Há referências em outras culturas da Via Láctea como sendo um rio que conduziria à imortalidade. Na verdade, a maior parte das lendas concebe a galáxia como sendo um caminho ou uma estrada (via, né? E por ser branquinha, láctea, de leite). Como não consegui fotografar nada nesse passeio, aí vai uma imagem da Via Láctea no dia e horário do passeio obtida no software astronômico Stellarium.


Com muita boa vontade, dá para ver um "rastro" branco na imagem (pelo meio)
Já a segunda parte mais emocionante foi avistar as Plêiades, lindas e brilhantes. Quando chegamos e vimos o céu no Atacama, eu achei que esse agrupamento fosse a “Caixa de Jóias”, de tão “juntinhas” que elas estavam. No entanto, maior surpresa foi quando o astrônomo revelou que eram as Plêiades. Na mitologia grega, elas eram filhas de Atlas e Pleione, filha do Oceano. Quando Pleione estava passeando pela Beócia com suas sete filhas, foi perseguida pelo caçador Órion, por sete anos. Júpiter, com pena delas, apontou um caminho até as estrelas, e elas formaram a cauda da constelação do Touro. Eu nunca tinha visto todas elas...

Plêiades dentro do "alvo" quadradinho...
Outras constelações também foram contempladas nas explicações, mas não vou me alongar aqui porque nem todo mundo gosta de astronomia, né?

Importante: as noites são frias e o tour é ao ar livre. Sendo assim, vá bem agasalhado, pois faz realmente MUITO frio. Houve o empréstimo de alguns cobertores, mas não havia para todos. Então, não corra o risco e já vá preparado para enfrentar uma temperatura bem baixa mesmo.

O preço da excursão foi de 20000 Pesos Chilenos e incluiu o transporte de e para San Pedro, o tour propriamente dito e uma bebida quente, que podia ser chá ou chocolate. Na volta, por ser tarde, dependendo do hotel, o motorista deixava as pessoas próximas a ele. Quase que nós passamos do nosso, pois estávamos tombando de sono. Afinal, o dia tinha começado às 3h (Geysers del Tatio) e ainda estávamos saracoteando na rua às 1h30, do dia seguinte! Chegamos ao hotel e apagamos porque além do cansaço, teríamos outro passeio no dia seguinte: o Salar de Tara. Ainda bem que ele estava marcado para às 8h30... Ufa!

Espero que tenham gostado do post astronômico. É um passeio que realmente vale muito a pena, apesar da ausência de fotos para expressar isso...

Até domingo

Um super beijo

Sobre o Autor:
Carolina Belo Sou Carolina Belo, Bióloga e Turismóloga. Busco sempre ser feliz e ver o lado positivo de tudo o que acontece na vida. Gosto de viajar e participar de corridas pelo mundo.

2 comentários:

  1. Amiga,
    é incrível como eu tenho aprendido coisas com você!
    É muito legal ler os seus posts... eu viajo mesmo!!!
    Só que sem sair do lugar!
    Muito bom!!!
    Beijão!
    Ana
    http://blogdaana.com.br

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    1. Oi Anaaaaa!!!! Que legal ler isso... Eu amo astronomia e tive o máximo de cuidado para não causar uma overdose em vocês sobre o assunto, ha ha ha ha ha...
      Obrigada pela visita e pelo comentário...
      Um super beijo...
      Carolina

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