domingo, 3 de julho de 2016

Ultramaratona dos Anjos Internacional

A minha visão sobre ela

Olááá! Tudo bem? Quem acompanhou pelo Instagram, já imaginava sobre o que seria o post de hoje, né? Afinal, o assunto de ontem foi justamente a Ultramaratona dos Anjos Internacional, conhecida por UAI. É claro que esse assunto vai render muitos outros posts. Então, vamos lá... 

A distância da prova é de 235 quilômetros (X-Hard). O atleta pode optar por percorrer esses quilômetros completamente ou revezar essa distância. Há também percursos menores: 
  • uma prova chamada "Fast" de 25 Km.  
  • uma prova considerada "Easy" de 65 Km.  
  • uma prova de 95 km chamada de "Medium". 
  • uma prova de 135 Km considerada "Hard".  

Eu fiz a "Fast" enquanto que Otávio fez a "Easy",  que segundo ele de "easy" não tem nada, mas isso fica para um próximo post, he he he he. Com a gente, havia também uma equipe de revezamento do Instituto Jacqueline Terto, que contava com a participação do Edivandro, um atleta cego. Na verdade, já posso adiantar que eles concluíram a prova com êxito, abaixo do tempo esperado, conquistaram o 2º lugar e Edivandro tornou-se o primeiro cego total com a utilização de guia a completar uma ultra no Brasil. Olha que legal!!!! Em breve, com certeza, Jacque vai postar sobre isso no blog dela. Não deixem de dar uma conferida!



A entrega do kit e o Congresso Técnico aconteceram na quinta-feira, dia 30 de junho, na Pousada do Verde, em Passa Quatro, mesmo lugar onde ficamos hospedados. Como chegamos perto do horário do começo do congresso (e olha que não fui "Carol caracol" na estrada, heim?), perdemos grande parte dele, pois estávamos pegando o kit (e foi um processo meio demorado, para checar equipamentos e preencher papéis).


UAI 2016


No mesmo local, após o congresso, aconteceu um jantar de massas oferecido pela organização, mas como o pessoal ia comer fora,  fomos com eles a um restaurante em Passa Quatro. 



O grande dia começou cedo. Às 6 horas, já estávamos tomando café. Na verdade, o horário de início para o café da manhã estava marcado para às 6h30, mas acho que os corredores fizeram meio que uma pressão na cozinha e o pessoal acabou liberando algumas coisinhas antes da hora.


UAI 2016
No café da manhã
Como nossa pousada era longe da largada e fomos de carona, chegamos meio em cima da hora e quase que não consegui garantir as fotos. Olha o drama!!! Se bem que vou contar um verdadeiro drama para vocês... Eu havia me esquecido de levar a máquina fotográfica para a viagem. Eu realmente não acreditei quando me dei conta disso. A primeira pergunta foi: "você tem um check list. Como você não olhou para ele?". Enfim, as fotos foram todas do celular, acreditam?




UAI 2016
Galera... 
UAI 2016
Abastecimento de última hora...
Encontramos a Aurea e o Emerson Bisan, da Nova Equipe. Fizemos nosso book inicial. E encontramos também o nosso amigo Egomar, o mesmo que era a meta de não ser encontrado durante a Bombinhas Ilha do Farol (porque ele possui a função de resgatar os últimos colocados na prova, lembram??? Na minha primeira Bombinhas, ele apareceu pelo caminho, ha ha ha ha ha). Também fizemos fotinho para registrar!

UAI 2016
Com Aurea e Emerson
UAI 2016
Com Egomar... Fera que foi para os 235 Km!
A largada foi às 8 horas. Entretanto, antes disso, foi executado o Hino Nacional. Foi bem emocionante, pois mesmo com essa loucura que está o país, as pessoas cantaram alegremente. 
UAI 2016
Beijo de boa prova...
Largamos e corremos pelas ruas da cidade, o que deu uns 2,5 ou 3 Km. Foi tão em paz que só fui me ligar na quilometragem no km 3. Atravessamos a estrada e entramos em uma via que era de asfalto e depois foi se tornando terra. Esse início, nessa estrada, foi meio confuso porque eram muitos carros de apoio subindo juntos, o que gerou engarrafamentos e muito cuidado para não acontecer um acidente.

UAI 2016
Vamos que vamos...
UAI 2016

UAI 2016
Paisagem
UAI 2016
Paisagem
UAI 2016
Paisagem...
Passamos por um vilarejo onde havia uma escola. Como era uma sexta-feira, as crianças deveriam estar em aula, correto? No entanto, elas estavam na janela gritando "boa corrida" para cada corredor que passava. Claro que me deu vontade de chorar, né? 

UAI 2016
Igreja ao lado da escola onde as crianças torciam por nós.
UAI 2016
Come docinho...
Falando em motivação, os encontros nessas provas são fantásticos.  Havia duas corredoras que iriam para os 235 Km. Elas estavam com carro de apoio e uma delas me ofereceu água! Não peguei, mesmo com a minha reserva acabada, porque havia tomado esporro de uma outra equipe anteriormente quando confundi o carro deles como sendo da organização da prova. Como não havia o nome da equipe, só o adesivo da UAI pensei que fosse o tal PC móvel que havia lido no email da organização. Fui toda inocente perguntar se ali era o PC Móvel e uma das meninas disse que não, mas quis saber de que eu precisava. Eu disse que um pouco de água, mas que não tinha problemas, que daria para chegar. Aí essa menina prontamente disse: "Água não se nega a ninguém". Aí uma segunda menina gritou "não pode, fulana! Quem é dos 25 Km não pode receber ajuda". Bom, eu não sabia disso e fiquei com a maior vergonha, ha ha ha ha. E depois, quando a outra atleta me ofereceu água tão prontamente, fiquei com medo de trazer problemas para ela. Mesmo assim, obrigada a ela, que não posso citar o nome, porque vai que traz problemas posteriores, ha ha ha ha ha. No entanto, se ela ler isso, ela saberá (inclusive ofereceu um colete reflexivo a um outro corredor que não tinha)!

A chegada dos 25 Km foi algo bem diferente. Não havia um pórtico como sempre há. Tinha apenas uma faixa escrita "Chegada". O locutor anotava o número e a pessoa podia se alimentar e se hidratar e pegar a sua medalha em cima da mesa (perguntei a ele se era self service e ele riu). Comi algumas frutas, bebi um isotônico e fui esperar a chegada de Otávio. Logo ele chegou e fomos repor água para ele poder continuar. Ele disse que tinha encontrado o Marcio que havíamos conhecido na KTR 2015 (estão lembrados desse nosso drama?). Achei show, porque não tínhamos conseguido encontrá-lo no Face após a KTR. Logo depois Marcio apareceu. Ficamos lá conversando um pouco, até que Otávio decidiu seguir o seu trajeto. Eu, como tinha deixado o carro na pousada, fiquei esperando pela van que levaria os concluintes dos 25 Km de volta a Passa Quatro. Nesse meio tempo, conheci a Paula (figuraça que queria fazer os 65 Km porque estava se sentindo muito bem) e o Daniel (que passou dando motivação pelo caminho). Só estava faltando isto: os novos amigos que fazemos nas corridas da vida!

UAI 2016
Pronto, chegou!
UAI 2016
Otávio chegando nos 25 Km.
UAI 2016
Encontro e despedida...
UAI 2016
Finalmente, uma foto que não é selfie. Valeu Paula!
Consegui descer pelo caminho, já que a pousada não era no centro de Passa Quatro e fui andando por mais 2 Km até chegar à pousada para buscar o carro e seguir para outra pousada (não havia vaga de sexta para sábado). Depois de tomar banho e me tornar "gente" novamente, fui procurar um local para almoçar e dirigir por uns 50 Km, segundo o Google, para encontrar Otávio, que estava percorrendo os 65 Km.

Como estava tarde (tinha passado das 14h30m), não encontrei nenhum local aberto para almoçar em Itanhandu, a cidade que ficaríamos de sexta para sábado. Fui ao supermercado comprar água e encontrei alguns sanduíches já prontinhos. Apesar de querer "comida comida", estavam fresquinhos e ótimos. 


UAI 2016
Felicidade com a comida...
Parti para Alagoa, o local da chegada dos 65 Km, seguindo as instruções do gerente do supermercado. Acontece que não havia placa indicando em qual rua de Itamonte eu deveria entrar (ele tinha dito que seria antes da fábrica do guaraná Mantiqueira e que teria uma placa. Fui super atenta, mas quando vi a fábrica, a rua já tinha passado, aff. E não havia placa...). Parei no posto de gasolina para perguntar novamente e lá fui seguindo novas instruções. Consegui me achar e fiquei muito feliz em perceber que a estrada não era de terra, como a moça do supermercado tinha falado. Vocês conhecem o meu drama com o carro, né? Foram muitos Kms em asfalto e em pedra hexagonal (não sei o nome oficial desse tipo de piso), até encontrar os 10 Km de cascalho que foram tensos, mas isso eu falo depois...

Enquanto ainda estava percorrendo o caminho da pedra hexagonal, comecei a encontrar alguns participantes da corrida. Quando vi o primeiro (que na verdade eram duas meninas que estavam em último, né?), gelei. Tive muito medo de encontrar Otávio se arrastando pelo caminho. Não que ele não estivesse preparado. Estava com certeza, mas eu sempre tenho medo. É uma distância meio absurda, né? Quando passei pelo segundo corredor, tive um ímpeto, liguei o alerta e perguntei se ele estava bem e se precisava de alguma coisa. Ele meio que assustou (acho que ele ficou meio receoso, já que eu não tinha nenhum adesivo de carro de apoio), mas perguntou se eu tinha água. Bom, eu tinha comprado duas garrafas para levar para a pousada depois, mas considerei que ele precisava muito mais que eu. Parei e dei a água.  E assim fui fazendo até chegar na bifurcação na subida da Serra do Papagaio, onde segui em frente e os corredores desciam para a esquerda. Eu havia recebido uma recomendação de não descer pelo mesmo caminho que os corredores, pois teria uma pirambeira de respeito. Bom, claro que não desrespeitei essa recomendação, ha ha ha ha).


UAI 2016
No topo do morro

Aí começou o treme treme na estrada de cascalho. Foram 10 km nesse sofrimento... O carro trepidava desesperadamente e eu rezava para não furar um pneu naquele lugar.  Já pensou? Ninguém subia e ninguém descia. Só tinha eu naquela estrada. Aí comecei a ficar com medo e a imaginar a volta na escuridão nesse lugar. Ai Jesus!!!! 



Finalmente, acabou o cascalho, voltei para o asfalto e comecei a encontrar os corredores novamente. Encontrei Egomar correndo na maior paz. Ele não quis nada e continuei seguindo... Depois de mais alguns quilômetros cheguei a Alagoa.


UAI 2016
Entrada da cidade de Alagoa

Fiquei aguardando, aguardando (...) por Otávio.  Claro que nesse tempo eu não fiquei quieta, né? Bati papo com muitas pessoas, tanto do apoio que esperavam por seus atletas quanto com os próprios atletas que chegavam e ficavam aguardando pela van para voltar a Passa Quatro. Tinha uma galera do apoio de dois atletas que foi show. Um deles, o Rogério Zulu, toda hora passava e perguntava se eu queria alguma coisa. Nossa, eu estava ardendo de fome, mas não quis incomodar e nem pegar nada, porque, afinal, as pessoas calculam os alimentos e bebidas para seus atletas e, óbvio, não iria desfalcar a equipe. Foi muito engraçado quando ele perguntou sobre quem eu estava esperando. Estava meio complicado explicar, porque devido aos apetrechos (mochilas, bandanas, toucas...) as pessoas ficam meio parecidas. Eu falei as características de Otávio e ele completou: "sei quem é... Um que mora em Nilópolis?". "Não, ele não mora lá". Ele completou: "Não, ele não mora. Ele fez audiência lá". "Isso mesmo". "Tá vindo, tá bem". Ufa! Menos mal... E a espera continuou...



Depois de 2 horas em Alagoa, no frio e com fome, eis que Otávio apareceu!!!! Querem saber como ele foi? Aguardem até quarta-feira que haverá um post da série "Eu não fui, mas meu amigo foi" (o link está aqui, no final deste post)!  Olha o drama...


Espero que tenham gostado

Até quarta-feira 

Um super beijo


Sobre o Autor:
Carolina Belo Sou Carolina Belo, Bióloga e Turismóloga. Busco sempre ser feliz e ver o lado positivo de tudo o que acontece na vida. Gosto de viajar e participar de corridas pelo mundo.

7 comentários:

  1. Uau!!! Carol! Seu blog eh um maximo!!!! Amei a postagem!!!
    Fiquei nervosa com a sua viagem para esperar o Otavio, rsrsrsrsr.
    Nossa, parecia que eu estava junto! Vou vir mais vezes por aqui!
    Bjs e feliz semana!

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    1. Oi Lucia! Que surpresa!!!!! Ha ha ha ha, que bom que deu para passar o meu drama indo até a cidade onde Otávio iria chegar. É justamente esta a ideia: levar vocês comigo nas aventuras, he he he he he...
      Obrigada pela visita...
      Um super beijo
      Carolina

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  2. Oi Carol,
    parabéns ao você e ao Otávio pela corrida! Agora chamar 65km de Easy é coisa de maluco, hein? Kkkkkkkk....
    Beijão e bons treinos,
    Dani.
    Blog Dani Corredora

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    1. Ha ha ha ha, concordo totalmente com a sua opinião Dani. Estava agora há pouco lendo o relato do Otávio, que entrará na quarta, e pensei justamente isso... Como assim, fácil? Ha ha ha ha... Tudo bem que o que viria depois seria mais bizarro, mas fácil não era não!!!
      Um super beijo e obrigada!
      Carolina

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  3. Perfeito Carol, ficou muito leve a forma como colocou a questão da deficiência.
    Obrigado por todo carinho...
    Hurra.
    Luiz

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    1. Oi Luiz. É sempre complicado achar os termos certos, he he he he...
      Obrigada pela visita...
      Um super beijo
      Carolina

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    2. Carol bom dia, hoje li na integra as falas estão perfeitas e muito coerentes com os fatos e realmente me emocionei como se estivesse correndo junto com vocês...
      As fotos estão Super...
      Beijos
      Luiz

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Obrigada pela visita. Fique à vontade para dizer o que achou do post... Seus comentários são super bem-vindos... Um super beijo...

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